29 de dez de 2011

Mondo Retrô: a negação de Gloria



Nos anos 70, a disco music foi a trilha sonora de um movimento cultural hedonista que negava as evidências do fim do mundo. O lema da época era "só o lurex salva", o globo de espelhos simbolizava um mundo que seguiria rodando a despeito de profecias e a discoteca escolheu como sua porta-voz a petulante Gloria Gaynor.

Gloria não se conformou em apenas lançar hits dançantes escapistas para uma geração sedenta de prazer e purpurina. Ela afirmava em suas músicas que não tinha medo do Apocalipse. Em I will survive ("eu vou sobreviver" para monoglotas), a diva, em tom desafiador, dizia bancar o fim do mundo e viver pra contar história. Não satisfeita, ela ainda baniu o conceito de despedidas em Never can say goodbye ("Nunca posso dizer adeus" para monoglotas).

Este quadro irreversível de negação em relação ao fim do mundo teve um grande efeito colateral na civilização. E, assim, a sociedade acabou enfrentando o colapso do bom senso nos anos 80, com a supremacia do laquê e da ombreira. Poxa, custava aceitar o fim? Olha no que deu...

Nos dias de hoje, com o passar dos anos, resta perguntar: Gloria Gaynor ainda acha que vai sobreviver? Ela ainda não está pronta para dizer adeus? Enquanto a musa das pistas não se pronuncia, vamos nos dar as mãos. E esperar.

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